foradogancho
  

Casar ou comprar a tal bicicleta?

 

Meu horóscopo de hoje: “Período de incertezas, divagações, em que você tenderá a ver problemas onde eles não existem”. Ai, ai, não poderia estar mais certo... Desde o começo da semana ando assim, divagando e vendo problemas onde eles não existem. Mas, por outro lado, será que não existem mesmo?

Nas minhas últimas duas sessões de terapia eu venho falando – naquele exercício de admitir para si mesmo – que minha vida anda tranqüila, que eu preciso me acostumar com o fato de que enjoei dos meus problemas de estimação e que agora preciso me acostumar a viver sem eles. Sem essa chorar toda noite antes de dormir, sem essa de ficar com cara de cu em público fazendo questão que as pessoas vejam que eu sou o arauto da miséria humana, enfim, foda-se o mundo que eu não me chamo Raimundo – e ainda que me chamasse seria rima, não seria solução, como diz o poeta. Okay. Legal. De fato, como eu brinquei com a minha psicóloga, eu não ganhei na loteria, o Brad Pitt não me pediu em casamento e eu não estou com viagem marcada para Paris. Mas, aquela história, a saúde vai bem, as pessoas que eu amo estão bem, minha grana está dando para mais coisa depois que eu parei de torrar tudo em cerveja, enfim, tudo vai bem e Deus salve o Presidente Lula (esse sim tem problemas...).

Só que ontem, na mesa do bar com uns amigos, eu me perdi a pensar na vida. Mal ouvia o que eles diziam. Olhos fixos em algum ponto da mesa, dando uma loooooonga e severa analisada na minha vida. Ali mesmo, na frente de todo mundo. A situação era engraçada: eu e uma amiga, sozinhos e não-apaixonados; meu amigo e outra amiga, apaixonadésimos – meu amigo pode até querer me matar quando ler isso, mas – Deus do céu – ele ESTÁ apaixonado. As provocações e brincadeiras giraram em torno dessa “divisão” de times em vários momentos: os dois apaixonados versus os dois não-apaixonados. As armas: eu e minha companheira de “solteirice” – ao menos por enquanto – temos a liberdade para fazermos o que quisermos, ninguém para encher o saco com ciuminhos idiotas e todos os homens do mundo para comer; eles, os apaixonados, têm companhia para as noites de frio, alguém que ligue nos celulares deles depois das 11 da noite – alguém que não seja o assessor de imprensa da Secretaria de Cultura justificando o atraso de um artigo, bem entendido – e, por hora, têm como endereço a felpuda e rosa pink gaiola do amor. Eles até que foram gentis, não posso negar: dedicaram-se a enumerar todas as vantagens de estar sem ninguém – algumas delas eu citei acima e ainda outras – todas, APOSTO, não estão fazendo falta para eles. Mas, enfim, gentileza não se dispensa.

Na hora de voltar para casa, decidi não aceitar as gentis ofertas de carona e caminhar um pouco, ouvindo música e seguindo minha sessão e auto-análise: por que ficar com inveja dos apaixonados se, várias vezes, tenho concordado comigo mesmo ao concluir que não possuo o temperamento para namorar? Por que querer um número de telefone novo na agenda se descobri que odeio com todas as forças aquele frio no estômago que invade as entranhas no ato de ligar para alguém? Por que querer que me aqueçam nesse inverno se eu ainda não tenho certeza se gosto de sexo o suficiente a ponto de transar com alguém? Por que me sentir triste por algo que eu nunca tive? Por que pedir por algo que eu nem sei se quero? Por que ansiar por romance se ando tendo vontade de assistir a Romeu e Julieta só para vê-los morrer no final? Por que, por que, por que... To chato, né? Por que será?

Escrito por De Luxe às 13h57
[] [envie esta mensagem]


 
  

Ai, ai, eu tô tão feliz que o Cine Belas Artes não virou bingo...

Falem a verdade: não é o máximo que o Cine Bela Artes não foi desativado para dar lugar a um bingo, ou uma igreja evangélica ou um cinema pornô? Aquela região é tão deprê que, meu, ainda bem que as pessoas vão poder frequentar ali e, quem sabe, injetar alguma energia positiva no entorno. Sim, porque eu não sei why a hell, mas mesmo sendo colado à Av. Paulista aquele quarteirão da Consolação devia mudar de nome para Desolação. O Bar Riviera que, dizem, já foi muito legal, dava triteza só de olhar pra ele. Fechou. Tinha um MacDonald's, bela porcaria, mas, enfim, também fechou. Aquela boate gay, a Puerto, "tenta mas não consegue" manter um nível legal de frequência por ali. Aquele bar - também gay - chamado Wing, é triste com aqueles vidros pretos, parece cassino controlado pela Yacuza. Até o Bradesco que tem ali dá medo de tirar dinheiro depois das 8 noite. Do outro lado, tem aquela loja Pernambucanas, um posto de gasolina fubazézimo e, tá legal, contruíram um hotel que fica bem iluminado e tal, mas, francamente, é horrendo. Sobrava mesmo o Belas Artes, que me fazia ter vontade de chorar quando estava todo velho, com os nomes dos filmes faltando letra do lado de fora e as poltronas todas detonadas do lado de dentro. Que uruca será que tem aquela região? Mas, enfim, tendo patrocínio de banco ou não, passando blockbuster americano ou não, o Belas Artes vai voltar a funcionar, cinema de rua, charmoso e, talvez, iniciando um processo de revitalização da região. Não custa esperar que sim...



Escrito por De Luxe às 16h04
[] [envie esta mensagem]


 
  

Minha vida comigo

 

Sábado eu vi o Notlim. Fazia tempo que eu não o via. Depois de duas oportunidades em que ele não quis aparecer, duas em que eu não quis aparecer e dois recados na caixa postal dele que ele não retornou (e que nada tinham a ver com meus sentimentos por ele, mas, enfim...), eu o vi.

Quando ele chegou ao bar, meu estômago quis enviar aquela mensagem “vou ficar com frio”, mas eu não deixei. Durante a estada dele na mesa, nos momentos em que eu pude, olhei bem para ele, sempre na tentativa de entender porquê eu me apaixonei por ele (ou ao menos porquê ele me interessa tanto). Descobrir isso tem sido mais importante que tudo para mim. Mudamos de bar e ele – junto com o namorado – disse que ficaria “só um pouquinho”, mas pedia cerveja atrás de cerveja e, por fim, ficamos até mais de quatro da manhã. Minha reação a tudo aquilo foi realmente estranha. Eu consegui agir com ele (quase) da mesma maneira que eu faço com todos. Até com as brincadeiras, respostas displicentes, “tiraçõezinhas” de sarro, enfim, todas essas amenidades que compõem uma noitada num bar. O namorado dele estava bonito: boina, cachecol, óculos, tom sobre tom do café ao creme numa combinação que o fazia parecer um intelectual francês, apesar de sua “morenice”. Não me privei de elogiá-lo. Primeiro para Notlim, depois para ele próprio. Confesso que não quis causar impacto com tal elogio que poderia soar meio fora de lugar, mas admito também que esperava que algum estranhamento fosse sentido, por ambos. Não sei se isso aconteceu.

Quando o assunto foi sexo – sexo pela manhã, na verdade – me calei e com um sorriso diplomático no rosto fiquei só ouvindo o que cada um tinha a dizer. Uma amiga disse que “detesta acordar” não importa o horário, mas quando a companhia é boa, o sexo rola suave e serve até como um antídoto para o mau humor matinal. Outro amigo – sempre impagável em seus comentários – disse que “sexo é bom a qualquer hora, logo por que não pela manhã?”. Notlim foi um tanto grosseiro. Disse que se tratava da melhor hora, era só aproveitar que o “pau já está duro” e – juro, ele disse isso – “pimba”. O comentário me chocou por vários motivos. Primeiro porque o “parceiro” dele estava presente e eu sei que – pelo menos é o que consta – ele só transou com o namorado até hoje. Logo, era indiretamente do namorado que ele falava. Achei rude da parte de Notlim. Mas, por outro lado, tenho percebido que sutileza não é uma de suas características mais marcantes. Choquei-me também – e esse é um motivo absolutamente meu – porque Notlim e o parceiro nunca demonstraram nenhum tipo de carinho em público, o que me fez esquecer um pouco que Notlim tem sexo e sexualidade. Bobagem minha. Ele não só tem como – argh – “pimba” de manhã. No final do papo, o sono e a vontade de ir embora provocaram em mim um suspiro tão profundo quanto espontâneo, e como quando o assunto é sexo todos ficam excitados, ariscos e incrivelmente maliciosos, não pôde haver pior hora para eu suspirar: “Noooooossa, De Luxe, que suspiro é esse?!”, disseram em coro. Olhei com cara educada e vazia e respondi apenas com um sorriso. “Será que o De Luxe vai encontrar o motivo do seu suspiro em algum lugar hoje?”, perguntou o namorado de Notlim. “Tomara, meu caro. Tomara”, respondi, sabendo que Notlim estava prestando muita atenção à minha resposta.

Várias cervejas – e guaraná diet pra mim – depois, carona oferecida, carona aceita. Ah, as caronas...Mas todos foram comigo e Notlim no carro. Ou deveria eu dizer que fui com Notlim e o namorado no carro? Observando a intimidade sólida, mas um tanto desbotada dos dois, várias vezes na noite perguntei a mim mesmo se é algo assim que eu quero para mim. Na porta da minha casa, agradeci a carona, subi para o meu apartamento, acendi um cigarro e enquanto Björk cantava o quanto ela tinha sido imatura (*) por acreditar que alguém mais poderia completar o que faltava nela a não ser ela mesma, senti o sono chegar e sonhei que me fazia a mesma pergunta.

 

De Luxe

 

* Immature: how could i be so immature to think he would replace the missing elements in me?
How extremely lazy of me!



Escrito por De Luxe às 14h20
[] [envie esta mensagem]


 
  [ ver mensagens anteriores ]  
 
 
HISTÓRICO
 27/11/2005 a 03/12/2005
 20/11/2005 a 26/11/2005
 02/10/2005 a 08/10/2005
 25/09/2005 a 01/10/2005
 27/02/2005 a 05/03/2005
 13/02/2005 a 19/02/2005
 23/01/2005 a 29/01/2005
 09/01/2005 a 15/01/2005
 21/11/2004 a 27/11/2004
 31/10/2004 a 06/11/2004
 24/10/2004 a 30/10/2004
 17/10/2004 a 23/10/2004
 10/10/2004 a 16/10/2004
 26/09/2004 a 02/10/2004
 29/08/2004 a 04/09/2004
 18/07/2004 a 24/07/2004
 11/07/2004 a 17/07/2004
 27/06/2004 a 03/07/2004
 20/06/2004 a 26/06/2004
 13/06/2004 a 19/06/2004
 06/06/2004 a 12/06/2004
 30/05/2004 a 05/06/2004
 23/05/2004 a 29/05/2004
 16/05/2004 a 22/05/2004
 09/05/2004 a 15/05/2004
 02/05/2004 a 08/05/2004
 25/04/2004 a 01/05/2004
 18/04/2004 a 24/04/2004



OUTROS SITES
 UOL
 UOL SITES
 Platão e cerveja
 Atire no Dramaturgo
 As Mandalas


VOTAÇÃO
 Dê uma nota para meu blog!