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O medo da ausência
Não, não, não, meus caros. Não vou falar daquele sentimento cortante, safado e sem vergonha que nos acomete quando alguém nos dá um pé na bunda – ou quando aquela pessoa não nos quer. Ai, ai... Não! Meu texto é sobre a ausência de...coisas. Coisas importantes ou não que quando somem nos dão uma puta dor de cabeça. A idéia pra esse texto surgiu domingo passado, na mesa de um bar com amigos, quando falávamos de maconha. Uma amiga contou que certa vez estava na casa da mãe, com outra amiga, e, conversa vai, conversa vem, chegou a hora de ir embora, as duas se despediram da mãe em questão e no carro, alguns minutos depois, eis que uma ausência pára tudo: “Cadê meu maço de cigarros?”, perguntou a amiga. “Sei lá, foda-se”, respondeu a minha amiga. “Foda-se é o caralho, tem um cigarro de maconha lá dentro!”. Viram? Imagine a sensação desconfortabilíssima de não saber por onde andava o tal maço dentro da casa da mulher, podendo ser encontrado a qualquer momento, e contendo um inocente – mas, potencialmente, problemático – cigarrinho de maconha. Parece que o tal não foi encontrado. Mas até que o prazo de validade da história vencesse, vai dor de cabeça.
Imediatamente fiz comparação com outra coisinha que dá muito mais medo quando a gente não sabe onde está: a barata. Saquem a cena: você em casa, pezão pra cima, vendo TV tarde da noite, até que você avista a cucaracha. Colada numa parede bem perto de você, esperando sabe-se lá o quê – não sei que tanto as baratas procuram...Pois bem, você levanta, pega o chinelo e voa pra cima dela – no caso, claro, daqueles que não se trancam no banheiro e dormem por lá mesmo com medo da bichinha. Só que você erra – claro, né?, todo mundo só mata barata com o freio de mão puxado. E quando você tira o chinelo de cima e vê que não acertou a desgraçada, ela não está mais lá. Resultado: você, a TV e a barata sozinhos na sala, no meio da noite. A TV está lá, no mesmo lugar de sempre. Você também, mas e a barata? Pânico total! (esse exemplo também vale para as lagartixas)
E tem também a camisinha, né? Que sempre deveria ir do plastiquinho para o bilau, mas que, vez em quando, se perde no caminho. Sei de uma história ótema sobre isso. Um amigo transando com o namorado, aquela aula de alongamento do caralho. Até que pá! Cadê a camisinha que estava no pau do namorado, que estava, por sua vez, vocês devem imaginar onde no meu amigo. Ah, filhão. Gritos, muitos gritos de horror no quarto. Será que ela “sumiu”? Será que a gente chegou a colocar? Cadê a porra da camisinha? Okay, tinha descolado do pênis do fulano e voado para o outro lado do quarto num movimento mais brusco, mas, porra, que cagaço!
Moral da história. Cada coisa no seu lugar é a regra. Sempre. A barata na parede, BEM visível (já que elas existem mesmo), a camisinha no cetro, e o baseado, bom, esse na cabeça, que é o lugar mais seguro e de onde nunca ninguém vai poder tirar...
De Luxe
Escrito por De Luxe às 19h13
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