| |
Porque eu rompi com a Mostra
O Cakoff que me desculpe, mas eu rompi com a Mostra. Sei que vou fazer tanta falta para o evento quando uma geladeira faz falta para um esquimó, mas – lamento mais eu do que qualquer pessoa – simplesmente não dá para competir com o público alvo desse troço. Bicho, eu sou uma pessoa que trabalha, certo? Okay, nada como 12 horas por dia, mas umas sete ou oito que já tomam boa parte do meu tempo. Aí, uhuu!, Mostra, vou sair do trabalho e pegar um filminho bacana, mexicano, vietnamita, sei lá, qualquer coisa obscura e potencialmente interessante a qual se pode ter acesso nessas horas. Beleza. Mas quem disse que dá? Há basicamente três opções: pegar uma fila gigantesca, pegar uma fila gigantesca e descobrir que os ingressos esgotaram quando você está na boca para comprar, ou nem pegar a fila gigantesca porque os ingressos acabaram...sei lá, antes da Mostra começar. Público: moçada, estudantes de cinema e intelectuais que ADORAM tomar café amargo e usar cachecol no calor. E, parece-me, nenhum deles faz outra coisa da vida a não ser comprar ingresso pra Mostra. É inacreditável. Como pode? O filme começa às oito, e seis e quinze não tem mais ingresso!!! Como esse povo faz? Juro que não quero pensar que se trata de um bando de gente que tem tempo de sobra – afinal, enfim, todo mundo tem seus afazeres. Mas por que eles conseguem e eu não? Teve um ano que ia passar um filme do Pasolini, Teorema, na Sala UOL tipo às nove da noite. Eu voei na hora do almoço – meio dia! – para garantir meu ingresso e tinha A-CA-BA-DO. Foi nesse ano que eu proclamei: Chega! Rompi com a Mostra. Não me excito mais, não fico mais com o guia debaixo do braço around the city, não quero mais saber. A esperança: os “Almodóvars” da vida sempre entram em cartaz. A pena: tem umas películas mui graciosas que NUNCA eu vou poder ver, mas...é como se diz: toda escolha supõe uma perda.
Very sorry,
De Luxe
Escrito por De Luxe às 16h52
[]
[envie esta mensagem]
|
|